O que Bolsonaro quer é inconstitucional e gera crise militar – MIRIAM LEITÃO, GLOBO

Por Míriam Leitão30/03/2021 • 09:55Forças ArmadasForças Armadas | Divulgação

Bolsonaro fez mudanças estranhas e perigosas no Ministério da Defesa. Ele tirou o general Fernando Azevedo com objetivo de trocar o comandante do Exército, Edson Pujol. Pujol é considerado um líder, um legítimo comandante, com uma carreira completa, tendo feito todos os cursos, sendo o primeiro da turma, é visto dentro do Exército como uma pessoa muito preparada para o posto. Segundo um general com quem conversei, ele aliou o físico ao intelecto.

Mas por que Bolsonaro decidiu tira-lo? Porque Pujol quer que as Forças Armadas fiquem longe da política. Ele é contra a politização das três Forças. É importante também explicar, segundo os militares com quem tenho conversado, que esse desejo não é só de Pujol. Eles não querem as Forças Armadas submissas. O Alto Comando concorda com o comandante do Exército. Bolsonaro não vai conseguir facilmente o que quer, que é usar os militares como se fossem dele, e não como instituições de Estado, como disse o agora ex-ministro Fernando Azevedo.

Na semana passada, Bolsonaro pediu a Azevedo para que o Exército desse demonstrações mais fortes de apreço ao seu governo. Essa frase foi considerada estranha. Não é o ministro da Defesa quem troca o comandante das três Forças, é o presidente da República. Se Bolsonaro tirar hoje Pujol e os demais, ele fará uma intervenção nas Forças Armadas com o objetivo escuso, criminoso e inconstitucional de usar as Forças Armadas como parte do apoio ao seu governo. E não ao Brasil e às instituições democráticas. Há uma diferença grande entre essas duas cosias. As Forças servem não ao projeto político de Bolsonaro, e elas querem permanecer assim.

É preciso entender que o país está em uma crise. Não foi mudança ministerial, foi uma intervenção numa instituição de Estado para que elas aceitem uma função inconstitucional. Os militares com quem eu falei, na ativa e no governo, dizem que não estão dispostos a entrar nessa aventura inconstitucional, para aprovar uma administração.

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