Onde já se viu a turma do dinheiro dar as costas a presidente popular? – RICARDO NOBLAT, VEJA.COM

O futuro do governo sem Paulo Guedes

Por Ricardo Noblat – Atualizado em 15 ago 2020, 05h42 – Publicado em 15 ago 2020, 09h00

IDEIA FIXA – Paulo Guedes: cobrança sobre transações, nos moldes da CPMF, é o pilar da reforma do governo. – Cerimônia de Prorrogação do Auxílio Emergencial no Palácio do Planalto com a presença do Rodrigo Maia , do Presidente do Congresso David alcolumbre, do presidente Jair Bolsonaro , do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello (Na foto, sem máscara) e do ministro Paulo Guedes, da Economia. Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Pablo Jacob/Agência O Globo

Sabe o que acontecerá se o ministro Paulo Guedes, da Economia, deixar o governo por discordar da adoção de medidas que possam significar o enfraquecimento da política fiscal? Nada. Não acontecerá nada. Como pouco ou nada aconteceu quando Sérgio Moro demitiu-se do Ministério da Justiça porque Bolsonaro queria intervir na Polícia Federal.

Se Guedes for embora, Bolsonaro nomeará algum nome de peso para o lugar dele e renovará seu compromisso com a política fiscal. Nomes não faltam. Um deles, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, com livre trânsito no Congresso e no mercado. O valor das ações na Bolsa de Valores poderá cair, mas não muito. Logo banqueiros e empresários adotarão o novo ministro.

Quantos brasileiros elegeram Bolsonaro só por que Guedes assegurou que ele era um liberal, escravo das leis do mercado? Um milhão? Cinco milhões? Bolsonaro teve 57 milhões de votos no segundo turno. Jamais foi um liberal como cansou de demonstrar nos seus quase 30 anos como deputado federal. Imaginar que ele obedeceria às ordens de Guedes seria um despautério.

Como será um despautério imaginar que o dito mercado vestirá luto se Guedes pedir as contas, se sentirá abandonado ou se afastará do governo. O pessoal do dinheiro só dá as costas ao presidente da República quando a popularidade dele começa a desabar, e se aproxima a hora do impeachment. A popularidade de Bolsonaro está em alta. E ele começa a jogar o jogo do Congresso.

Segue o baile.

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