Os elefantes que incomodam Bolsonaro – RICARDO NOBLAT – VEJA.COM

O que fazer com Mandetta?

Por Ricardo Noblat – 

Elefantes no zoológico de Berlim
Elefante brinca com uma árvore de Natal no jardim zoológico de Berlim, na Alemanha – 03/01/2017 Tobias Schwarz/AFP
  • Lembra-se da música infantil que dizia: “Um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais”? Há dois elefantes que neste momento incomodam o presidente Jair Bolsonaro e com os quais ele se mede: Henrique Mandetta, ministro da Saúde, e Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Pública.

Mandetta, por razões ainda fresquinhas. Moro, porque deixou Bolsonaro ao léu e fechou com as posições de Mandetta na condução da guerra contra o coronavírus. O presidente está furioso com ele. Até ontem, Moro não postou uma só mensagem nas redes sociais com elogios a Bolsonaro. Um pecado mortal.

Às 9h30 desta manhã, como consta da agenda oficial do presidente da República, ele receberá Mandetta para uma conversa a sós no Palácio do Planalto. Não será surpresa para este blog que Mandetta saia de lá demitido. Ou saia como entrou – o ministro da Saúde que balança, balança, mas por enquanto não cai.

Tudo poderá acontecer – inclusive nada, como dizia no passado o sábio Marco Maciel, ex-governador de Pernambuco, ex-presidente da Câmara dos Deputados, ex-ministro da Educação e da Casa Civil da presidência e ex-vice-presidente da República no governo de Fernando Henrique Cardoso. Sabia tudo.

Bolsonaro está morrendo de ciúmes de Mandetta. Em poucos meses, a popularidade de Mandetta ultrapassou a dele que cai. Mas não só por isso. O ministro tornou-se a mais séria ameaça à reeleição de Bolsonaro. Demitido já ou mais tarde, Mandetta é um potencial candidato a vice ou a presidente em 2022.

O que fazer com Mandetta? – indaga-se Bolsonaro diante do espelho. E o espelho não responde. Não adianta insistir. Espelho não fala.

MEU COMENTÁRIO:

Eu colocaria a pergunta de outra forma: O QUE FAZER COM BOLSONARO?

Quem é o ponto capital da crise, Mandetta ou Bolsonaro?

Até que ponto uma eleição legítima, como foi, tem que ser aceita, se o eleito descumpre inteiramente o mandato, comprometendo o presente e o futuro da Nação?

Impeachment é um impedimento legal criado para situações como essa.

Mas o virus não vai parar de agir, esperando que as instituições e os poderes harmonicos e dependentes como reza a Carta Magna cumpram sua liturgia, isto é, o doente está entrando em agonia, opera-se ou deixa-se que sucumba?

Esse doente chama-se Brasil. Pense nisso.

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