PACTO DE TOFFOLI AMEAÇADO – RICARDO NOBLAT, EM VEJA.COM

Sinal amarelo para os Bolsonaro

 (Antonio Lucena/VEJA)

Era uma vez o pacto firmado pelos três poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário) que o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, propôs e liderou para que o país atravessasse em paz os anos Bolsonaro.

Fazia parte do acordo a redução da beligerância dos seguidores do presidente Jair Bolsonaro e dos seus filhos contra a Justiça e o Congresso. Em troca, o Congresso aprovaria as reformas do interesse do governo e a Justiça as garantiria.

Outros pontos seriam negociados à parte. A libertação de Lula, por exemplo. Deu trabalho, mas ficou tudo okey. Ainda tem militar reclamando por aí, mas é jogo jogado. Em compensação, na medida do possível, a Justiça protegeria os Bolsonaro.

Foi visto como um ato de proteção a liminar concedida por Toffoli que suspendeu todos os inquéritos abertos pelo Ministério Público com base em informações sigilosas fornecidas por órgãos do governo sem prévia autorização judicial.

Nos últimos quatro meses, pelo menos cerca de 950 inquéritos foram paralisados – entre eles, por mera coincidência, o que apurava os negócios suspeitos da dupla Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz. Foi um duro golpe no combate à corrupção.

Nesse caso, o jogo que parecia jogado não está mais. Diante da desaprovação geral, Toffoli recuou e no julgamento em curso no Supremo passou a admitir com algumas restrições que o Ministério Público toque em frente o que havia parado.

Sinal amarelo para Flávio – e, por tabela para a família dele. Sinal que poderá se tornar vermelho se ao fim do julgamento, o que só ocorrerá na próxima semana, a maioria dos votos for a favor da pura e simples revogação da liminar concedida por Toffoli.

Por ora, o placar está empatado: 1 voto pelo compartilhamento de dados sigilosos com o Ministério Público, porém com restrições; 1 voto (o do ministro Alexandre de Moraes) pelo compartilhamento sem restrições, como sempre foi. Até a próxima quarta-feira.Notícias para você

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