País está sem ministro da Educação há um ano e meio – MIRIAM LEITÃO, O GLOBO

O ministro Abraham Weintraub pode ser demitido, mas isso não resolverá o problema. É preciso saber do governo Bolsonaro qual o papel ele reserva para o Ministério da Educação. 

O problema, com ou sem Weintraub, continua sendo o governo do presidente Jair Bolsonaro. Nada garante que agora ele saberá o que fazer com o Ministério, que é um dos mais importantes do país. Nesse um ano e meio de mandato, ocuparam o cargo dois ministros que não contribuíram em nada com a política educacional do país.

Um novo risco é que a mudança na pasta, se houver, virá no momento em que o Centrão começa a ocupar cargos no governo.

O presidente Jair Bolsonaro não teve ministro da Educação até o momento. O primeiro foi Ricardo Vélez, que mostrou em três meses o tanto que não sabia sobre o que é ser ministro da pasta. Abraham Weintraub o substituiu com o seguinte objetivo: fazer a luta ideológica.

O ministro se envolveu em diversas polêmicas que agradam o grupelho ideológico de extrema direita que se alinhou ao governo. Esse grupo só tem conflitos a propor. Tudo o que Weintraub fez até agora foi para promover o desmonte do setor. Uma polêmica de Weintraub foi sobre Paulo Freire, declarado patrono da Educação brasileira. O filósofo está na história da educação brasileira e é respeitado em outros países. Weintraub também brigou com os reitores, acusou as universidades federais de promover balbúrdias e produzir maconhas.

A agenda da Educação é vasta e decisiva para o Brasil. A pasta, na realidade, é o ministério do futuro, faz toda a diferença para o longo prazo do país. Weintraub deixou de realizar ações. Ele não participou da discussão sobre o Fundeb. O Fundo que financia a Educação Básica no país termina este ano e o ministro nunca se posicionou sobre o tema. Foi o Congresso que tomou a iniciativa, liderado pela Professora Glorinha, que conversou com os setores para tratar da renovação do Fundeb. Pelo governo, foi o Ministério da Economia que participou das conversas porque a conta será alta.

O Ministério da Educação também foi omisso na discussão sobre as medidas para a Educação no período da pandemia. Foi o Conselho Federal de Educação que criou os critérios para esse período em que as escolas estão fisicamente fechadas. Weintraub ainda criticou o trabalho do conselho. No caso do Enem, foi o Congresso que tomou a iniciativa de aprovar o adiamento da prova de 2020. Só aí Weintraub anunciou que a prova ocorreria em outra data.

O ministro foi um zero à esquerda. Não produziu, criou confusões, fez vídeos cantando, brincou à frente no Ministério ao invés de tratar da Educação. O último ato dele foi se encontrar com manifestantes que tinham lançado fogos de artifício contra o STF. Foi a suprema ignomínia.

A importância do Ministério nos foi mostrada na época em que a pasta teve um excelente ocupante. Paulo Renato foi ministro de 1995 a 2003 e teve papel de destaque na qualidade do ensino. Foi a partir dele que a Educação passou a ter avaliações de desempenho. É lamentável que, na área em que o país não podia perder um dia, o Brasil perdeu um ano e meio. Essa é a conclusão desse triste período de mandato em que o Ministério foi ocupado por quem não tem a mínima qualificação para ficar meia hora no cargo. Weintraub está há um ano e três meses no comando da pasta. 

País está sem ministro da Educação há um ano e meio – MIRIAM LEITÃO, O GLOBO
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