PALMEIRAS SOFRE MAS EMPATA – ROBSON MORELLI, ESTADÃO

Palmeiras sofre no primeiro tempo contra o Atlético-MG, abre mão de atacar e empata graças ao vigor físico e luta até o fim
Empate por 2 a 2 deixa decisão de vaga da Libertadores aberta para jogo de volta no Allianz Parque semana que vem: quem ganhar em São Paulo leva

Robson Morelli

03 de agosto de 2022 | 23h42

Parecia que faltaria coragem ao Palmeiras para enfrentar o Atlético-MG em Belo Horizonte na primeira partida das quartas de final da Libertadores. O time comandado por Abel Ferreira tinha uma proposta clara: se defender e trazer a decisão para o Allianz Parque na próxima semana. Havia uma indefinição dentro de campo desse modo de atuar por um simples motivo, o Palmeiras não sabe jogar assim. O time tem proposto o jogo desde que começou a temporada diante de qualquer adversário. Portanto, no Mineirão, ficou entre atacar e se defender. Não fez nem uma coisa nem outra. Havia muitos jogadores sem função, de modo a apenas correr atrás da marcação e se desgastar sem oferecer nada do meio para frente. Isso no primeiro tempo.

Parecia um Palmeiras que se conheceu no vestiário. Nem de longe mostrou ser a equipe que está junta há três anos tentando o tri seguido da Libertadores. Individualmente, alguns jogadores tiveram atuações ruins, abaixo do esperado. Marcos Rocha foi um deles. Com dez minutos de bola rolando dava para ver que o lateral “estava naqueles dias”. Errou muito e ainda cometeu um pênalti bobo, infantil, de jogador juvenil e afobado. Errou passes nas saídas de bola e não deu conta de marcar Keno, que deitou e rolou no seu terreno. Danilo corria para todos os lados. Não havia apenas um para marcar. Havia muitos. Não dava conta. Zé Rafael ficou entre marcar e jogar. Parou no meio do caminho. Na frente, o ataque desapareceu. Nem Dudu, o craque do time, deu o ar de sua graça. Raphael Veiga ainda não se recuperou tecnicamente. Isso no primeiro tempo.

Quem se salvou foi Scarpa, mais uma vez o melhor do Palmeiras. Foi um marcador sem perder suas características ofensivas. Correu como nunca. O Palmeiras esteve, portanto, longe do que se esperava dele, mas ficou claro que era uma opção de jogo. Como Abel Ferreira tem muito prestígio no clube, todos compraram sua ideia. O treinador só não contava com um rival a mil por hora. Assim foi o Atlético-MG diante de sua gente e depois de apanhar de 3 a 0 do Internacional no fim de semana pelo Brasileirão. Isso no primeiro tempo.

O time jogou alucinadamente nos primeiros 45 minutos, quando construiu todas as suas melhores jogadas, fez um gol, mas poderia ter feito mais não fossem as bolas finalizadas para fora, principalmente com Keno. Ele teve ao menos três boas chances de gol. A cada ataque do Atlético, o torcedor palmeirense parava de respirar. A sensação era de que tudo daria certo para os donos da casa e nada daria certo para o visitante. O Atlético meteu medo no Palmeiras, com boas jogadas e bolas enfiadas o tempo todo. Hulk saiu da área e mesmo assim infernizou a defesa. Isso no primeiro tempo e comecinho do segundo.

O jogo só melhorou para o Palmeiras na metade da etapa final, quando já estava 2 a 0 para os mineiros. A bem da verdade, o marcador era pequeno para os donos da casa e até razoável para o Palmeiras. O Atlético merecia mais. Mas com desgaste por causa de tanta correria, o time de Cuca cansou e tirou o pé. Abriu o bico. Colocou a língua de fora. Foi perdendo sua força. Também ficou em estado de alerta após o primeiro gol palmeirense, diminuindo a contagem para 2 a 1. Depois disso, o Palmeiras voltou a ser Palmeiras. Perdeu chance clara com Dudu de empatar. Clara mesmo.

Como o Atlético não tinha mais forças e estava cansadão, a equipe de Abel atacou e conseguiu o empate nos minutos finais. O empate de 2 a 2 acabou sendo um castigo para o time de Cuca e um presente para a equipe de Abel. O Palmeiras teve o mérito de lutar até o fim, de não desistir e de o seu treinador permitir que os atletas fossem mais ao ataque. Teve mais preparo físico, indiscutivelmente. No fim, a estratégia do Palmeiras acabou dando certo. Fez seu torcedor sofrer, mas mudou a história do jogo no segundo tempo. A vaga está aberta. Na semana que vem, quem ganhar leva. Empate não serve para nenhum dos dois. O Palmeiras terá agora a vantagem de ter sua torcida e de atuar em sua casa. Não é pouco.

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