Paulo Sousa é o investidor do ano – SANDRO MACEDO, FOLHA


Soma aqui, tira ali, noves fora nada, ele vai sair do Flamengo com R$ 10,7 milhões

Batatinha assando 1, 2… Assou.

Quando comecei a escrever esta coluna, Paulo Sousa era o técnico em aviso prévio do Flamengo. Ou seja, tinham decidido por sua demissão, mas não tinham ninguém para colocar no lugar, e, portanto, o português era o mais cotado para continuar no comando no jogo do fim de semana, contra o Internacional, em Porto Alegre —o mesmo Inter que sondou Paulo Sousa na mesma época que o time rubro-negro.

Mas o mundo não gira, capota. E reescrevo a coluna com a notícia de que Dorival Júnior está deixando o Ceará para assumir o Flamengo antes mesmo da demissão de Paulo Sousa (“que beleza”, diria Milton Leite).

O mesmo Flamengo que Dorival pegou na reta final em 2018, processou em 2019 e com o qual fez acordo para receber R$ 13 milhões —a ver se recebeu totalmente. O mesmo Flamengo cujo goleiro na época era Diego Alves, que se desentendeu com Dorival e foi encostado. Daí, a ver o que vai acontecer primeiro: Dorival chegar à Gávea ou Diego Alves deixar a Gávea.

Dorival deixou o Flamengo justamente porque Rodolfo Landim ganhou a eleição no clube e não queria manter o técnico. Está começando a ficar difícil explicar, melhor a Netflix fazer logo essa série.

Vi em uma coluna do Mauro Cezar, do UOL, que entre os cargos na organização de futebol do Flamengo tem um gerente de transição. Adorei o cargo, mas não consigo fazer ideia do seu trabalho. Imagino que ele deve ter semana cheia agora, com a transição de Paulo Sousa para o seguro-desemprego e a de Dorival para o Rio.

Se Paulo Sousa era questionado como técnico, deveria ser exaltado como investidor. Qualquer um que colocou dinheiro na Bolsa (ousado), na Petrobras (coitado) ou em bitcoins (tadinho) em março se deu mal. Mas Paulo Sousa investiu no Flamengo.

Vamos fazer a conta: se o português tivesse ficado na seleção da Polônia, ganharia cerca de R$ 5 milhões até o fim do ano. E de brinde levaria uma passagem de ida e volta com tudo pago para o Qatar, mas vamos deixar isso de lado.

Foi para o Flamengo para ganhar R$ 1 milhão por mês (não oficial), o que significa que recebeu em cinco meses os mesmos R$ 5 milhões, se não errei a conta. Tem ainda uma multa de mais R$ 7,7 milhões. Ou seja, ele se despede com R$ 12,7 milhões.

Ah, sim, ele pagou cerca de R$ 2 milhões do próprio bolso para se desvincular da seleção de Lewandowski. Então, soma aqui, tira ali, noves fora nada, ele vai sair do imbróglio com R$ 10,7 milhões, pouco mais que o dobro do que ganharia se tivesse ficado com os poloneses. Nada mau.

De quebra, terá um sabático sem preocupações até o fim do ano. E com os rendimentos, caso ele queira, poderá ir ao Qatar e ver o jogo que quiser, não precisará ficar só nos da Polônia.

Paulo Sousa é o investidor do ano – SANDRO MACEDO, FOLHA
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