PEDALADA DE BOLSONARO FAZ TEICH DE BOBO – JOSIAS DE SOUZA, BLOG DO JOSIAS NO UOL

“Existe um alinhamento completo entre mim e o presidente”, declarou Nelson Teich na quinta-feira, após ser anunciado por Jair Bolsonaro como novo ministro da Saúde. Decorridos apenas três dias, o presidente tirou o novo ministro da Saúde para dançar a coreografia da enganação. Ou o doutor define “alinhamento” ou passará a desfilar pelos corredores de Brasília com uma incômoda cara de bobo.

Na sua manifestação inaugural, feita ao lado de Bolsonaro, o substituto de Henrique Mandetta afirmara que não faria nenhuma “mudança brusca ou radical” na política de isolamento social encampada pela pasta da Saúde no combate ao coronavírus. Neste domingo (19), o doutor recebeu como boas-vindas do presidente uma pedalada sanitária. E se absteve de reagir.

Pela enésima vez, Bolsonaro deu de ombros para a recomendação da pasta da Saúde ao discursar para uma multidão de apoiadores golpistas que se aglomeraram defronte do Quartel General do Exército, em Brasília. Ao silenciar, Nelson Teich como que aceitou tacitamente o papel de parceiro do capitão numa contradança constrangedora. Virou uma espécie de anti-Mandetta.

Por uma trapaça da sorte, Bolsonaro constrangeu Teich justamente no dia de sua estreia. O novo integrante da Esplanada participou de reunião com os ministros da Saúde dos países do G-20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo. Disse no encontro que “o Brasil reconhece o papel da Organização Mundial da Saúde”, entidade que recomenda o isolamento social.

Ao estrelar uma manifestação que tinha como motes principais a defesa da interrupção do isolamento e uma intervenção militar, Bolsonaro alinhou o Brasil não ao G-20, mas a uma espécie de G-4. Além do Brasil paralelo que Bolsonaro imagina presidir, apenas três ditaduras menosprezam o vírus e renegam o isolamento: Bielorússia, Turcomenistão e Nicarágua. Teich precisa informar se o seu “alinhamento completo” com Bolsonaro inclui a aversão à ciência.

A crise do coronavírus veio de fora. Mas a abordagem errática do flagelo é um produto genuinamente nacional. Foi produzida por Bolsonaro. Sua principal característica é a ausência de governo. O presidente detonava o isolamento defendido por Mandetta, que espetava o chefe em público. O comportamento de Bolsonaro revela que o desgoverno permanece. O doutor Teich precisa informar o que pretende fazer se Bolsonaro lhe pedir para dançar rumba numa Unidade de Terapia Intensiva superlotada de pacientes da Covid-19.

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