Pipoca na galinha de Bolsonaro – PEDRO GRAVA ZANOTELLI – JORNAL DA CIDADE

Tempos atrás circulava na região das águas de Minas Gerais um pequeno cartaz desafiando o turista a entender o linguajar mineiro, no estilo de Riobaldo, em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Era um causo mineiro. Dizia assim:

“Sapassado, era sessetembro, taveu na cuzinha tomando uma píncumel e cuzinhando um kidicarne cumastumate pra fazer uma macarronada cum galinhassada. Quascai de susto quanduvi um barui vinde denduforno parecenum tidiguerra.

A receita mandopô midipipoca denda galinha prassa. O forno isquentô, o mistorô e o fiofó da galinhispludiu! Nossinhora! Fiquei branco quinein um lidileite. Foi um trem doidimais! Quascaí dendapia. Fiquei sensabê doncovim, noncotô, proncovô. Ópcevê quilocura! Grazadeus ninguém semaxucô”.

O desafio era: ‘Quem entender esta mensagem é um verdadeiro mineiro’.

O desafio agora é: será um bom brasileiro quem entender a teimosia do Bolsonaro em ser o único presidente dos países democráticos do mundo a não querer o isolamento social e fritar o ministro da Saúde no momento mais crítico da pandemia da Covid-19 e nomear outro que vem procurando fazer a mesma coisa e parece que ele está aceitando.

Mais brasileiro, ainda, será quem adivinhar o que vai acontecer com a receita que Sérgio Moro deu a ele mandando colocar milho de pipoca na galinha assada, para ele comer com os filhos, em quarentena, depois da explosão. A pipoca que a plateia ansiosa estava esperando eram as provas de materialidade dos seus crimes, que podem justificar o impeachment.

O ex-ministro da Saúde, com bons modos, tentou convencê-lo de que o isolamento social era o caminho certo e que poderia ir afrouxando na medida em que houvesse segurança para evitar o retorno da contaminação.

Da mesma forma, Sérgio Moro foi tolerante com as decisões de alteração em seu ministério e procurou mostrar-lhe o que era correto e o que não era em Segurança e Justiça. Da mesma forma como fazia na Saúde, Bolsonaro concordava oficialmente e depois era o primeiro a não cumprir.

Agora é só aguardar o aquecimento do forno e esperar que a pipoca estoure, mas que a galinha não exploda e venhamos a ter dias de paz, sem coronavírus e sem presidente desatinado.

Pipoca na galinha de Bolsonaro – PEDRO GRAVA ZANOTELLI – JORNAL DA CIDADE
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