QUEM PAGA A CONTA DA DEFESA DO “GABINETE DO ÓDIO” – JOSIAS DE SOUZA, BLOG DO JOSIAS NO UOL

O espírito de corpo que vigora no pedaço ideológico-cristão do governo de Jair Bolsonaro converteu-se em espírito de porco. Não bastasse aturar a presença de Abraham Weintraub no comando do Ministério da Educação, o contribuinte brasileiro foi condenado a pagar a defesa dele no Supremo Tribunal Federal.

Por ordem de Bolsonaro, o ministro André Mendonça, substituto de Sergio Moro no Ministério da Justiça, protocolou no Supremo Tribunal Federal um habeas corpus contra decisão que deu cinco dias para Weintraub esclarecer em depoimento a ofensa que dirigiu aos magistrados da Corte.

O habeas corpus do ministro da Justiça é extensivo “a todos aqueles que tenham sido objeto de diligências” da Polícia Federal nesta quarta-feira, na investigação que apura o funcionamento do chamado “gabinete do ódio”, uma máquina bolsonarista acusada de difundir notícias falsas e triturar reputações nas redes sociais.

Repetindo: o ministro da Educação chama os magistrados do Supremo de “vagabundos”, declara que colocaria todos eles na cadeia, continua pendurado na folha do MEC, e ainda espeta o custo do processo judicial no bolso do brasileiro em dia com a Receita Federal. Você paga o salário do autor da defesa, o cafezinho, a tinta da impressora, o papel, a conta da luz, o diabo.

Mais: a Polícia Federal realiza batidas de busca e apreensão em 29 endereços de suspeitos de espalhar fake news e o ministro da Justiça, superior hierárquico dos agentes federais, assina a peça que pede o trancamento do inquérito em nome da “liberdade de expressão.”

Entre os que tiveram as residências varejadas pela rapaziada da PF estão, por exemplo, o ex-presidiário Roberto Jefferson e os empresários Luciano Hang (Grupo Havan) e Edgard Corona (Smart Fit). “Obrigado, presidente. Jamais vou deixar de falar o que penso”, agradeceu o dono da Havan. “Estamos juntos com o povo brasileiro para mudar o nosso país. Democracia e liberdade é tudo.”

O inquérito sobre fake news é passível de questionamento. Os brasileiros encrencados com a lei têm direito a um advogado. Não há miseráveis entre os investigados. Mas ainda que houvesse réus miseráveis entre os encrencados, poderiam recorrer aos bons préstimos da Defensoria Pública.

Qualquer solução seria aceitável, exceto espetar no bolso de quem financia a bilheteria o custo adicional do incêndio do circo.

Já imaginou que país maravilhoso seria o Brasil se, de repente, baixasse no pedaço do mapa de Brasília onde funcionam os Poderes da República uma pandemia de ridículo?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

 

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