Regina Duarte e Luiz Datena reforçam o espetáculo da política – RICARDO NOBLAT – VEJA.COM

O show tem que continuar

Por Ricardo Noblat – 4 mar 2020, 09h00

Regina Duarte e Jair Bolsonaro
Regina Duarte e Jair Bolsonaro Carolina Antunes/PR

Salvo um ataque de arrependimento súbito, Luiz Datena, apresentador de programa policial na Rede Bandeirantes de Televisão, e Regina Duarte, por 50 anos a namoradinha do Brasil na tela da Rede Globo, ingressarão, hoje, no espetáculo da política para reforçar a natureza da política do espetáculo.

Os dois estarão em Brasília e em lados opostos – o que pouco significa porque o PMDB ao qual Datena se filiará nunca se manteve distante de governo algum. E Datena é tão próximo de Jair Bolsonaro quanto Regina se tornou desde que descobriu no ex-capitão a melhor alavanca para desalojar o PT do poder.

Há muito tempo que Datena se vê tentado a disputar um cargo público, e desiste na última hora. Afastada das novelas há anos, Regina não resistiu ao primeiro convite que recebeu para brilhar no palco da Esplanada dos Ministérios. Haveria melhor palco para ela? A Esplanada atrai os holofotes e câmeras de todo o país.

Mais tarde, Datena decidirá se será candidato a prefeito ou a vice-prefeito de São Paulo, ou se outra vez arquivará suas ambições políticas para não abrir mão da fortuna que ganha. É o mesmo dilema que enfrentará Luciano Huck, dono do Caldeirão nas tardes de sábado na Globo, e aspirante a candidato a presidente em 2022.

O dia seguinte de Regina terá a ver com sua disposição para engolir sapos indigestos. Ou com sua habilidade para manter-se na corda bamba, pressionada por um lado por seus colegas artistas que se acham maltratados pelo governo; e, por outro, por Bolsonaro que acha que artista bom é só artista que o apoia.

A vida de Regina não será fácil. O autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho, guru dos Bolsonaros, queixou-se que alguns dos seus discípulos ficaram desempregados com a chegada de Regina à Secretaria de Cultura, onde finalmente tomará posse. E foi logo avisando que a escolha dela para o cargo passou por seu crivo.

MEU COMENTÁRIO:

Nosso tosco presidente, incapaz de resolver sozinho as escolhas, depende das aprovações do dito filósofo externo e dos filhos, principalmente do mais azedo, o Carlinhos.

É triste, mas infelizmente é a verdade, como rezava a letra de uma valsa de antanho…

Resta saber se a Regina vai aguentar o rojão, quando a coisa ferver…

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