REINAÇÕES DE BANANINHA – BERNARDO MELLO FRANCO, O GLOBO, RJ

Eduardo Bolsonaro assume diretório do PSL em São Paulo

Eduardo Bolsonaro assume diretório do PSL em São Paulo | Edilson Dantas/10.06.2019

No momento em que o Brasil começa a contar mortos pelo coronavírus, o deputado Eduardo Bolsonaro resolveu fabricar uma crise diplomática. Na noite de quarta, o Zero Três culpou a China pela pandemia. No mesmo tuíte, sugeriu a derrubada do regime comunista, que governa o país há 70 anos.

A provocação enfureceu a embaixada chinesa em Brasília. Não era para menos. A China é o maior parceiro comercial do Brasil. No ano passado, foi responsável por 65% do superavit na nossa balança comercial. Em resposta ao ataque, o embaixador Yang Wanming acusou Eduardo de imitar seus “queridos amigos”. Referia-se ao presidente americano Donald Trump, que politiza a doença e espalha preconceito contra os asiáticos.

Além de ofender os chineses, a molecagem do Zero Três irritou o empresariado e a cúpula do Congresso. Em vez de esfriar a crise, o ministro Ernesto Araújo reforçou a grosseria. Numa nota desastrada, ele cobrou retratação do agredido e passou a mão na cabeça do agressor. A atitude reforçou seu status de chanceler decorativo, que desonra o Itamaraty para adular o filho do chefe.

Em perfil publicado na revista “Piauí”, a repórter Thais Bilenky contou que os amigos de Eduardo costumavam chamá-lo de “Loide”. O apelido fazia referência ao filme “Debi & Loide: Dois Idiotas em Apuros”. Só um néscio teria a ideia de atacar uma nação amiga que acaba de perder 3.245 pessoas para o coronavírus. Graças a uma mobilização em massa, a China virou o jogo e passou a enviar médicos e equipamentos a outros países.

Ontem o embaixador Wanming escreveu que quem insiste em atacar o povo chinês “acaba sempre dando um tiro no próprio pé”. Para colher novos likes da ultradireita, Eduardo pode ter alvejado milhares de brasileiros que serão infectados nas próximas semanas.

O vice Hamilton Mourão, que andava calado, reapareceu para dizer que o deputado não fala pelo governo. “Se o nome dele fosse Eduardo Bananinha, não era problema”, ironizou. Depois de se apresentar como um moderado entre radicais, o general havia submergido. Ele ressurge no momento em que Bolsonaro, o pai, começa a enfrentar panelaços e pedidos de impeachment.

REINAÇÕES DE BANANINHA – BERNARDO MELLO FRANCO, O GLOBO, RJ
Rolar para o topo