RETÓRICA DE BOLSONARO VIRA CONVERSA DE BOTEQUIM – JOSIAS DE SOUZA, BLOG DO JOSIAS

A retórica de Jair Bolsonaro contra a política de isolamento social virou conversa de botequim. Na solenidade de transferência do cargo de ministro da Saúde de Henrique Mandetta para Nelson Teich, o presidente voltou a fazer pose de defensor dos empregos. “Essa briga de começar a abrir o comércio é um risco que eu corro”, disse ele, “porque se agravar vem pro meu colo.”

No mesmo discurso, Bolsonaro atacou novamente os governadores, responsáveis pelo envio das ruas para casa. Mas disse que respeita a decisão do Supremo Tribunal Federal, que atribuiu poderes a governadores e prefeitos para deliberar sobre questões como isolamento, confinamento, fechamento do comércio e interrupção das aulas.

Bolsonaro agradeceu a Mandetta pela dedicação, afirmou que “não há vitoriosos nem derrotados” no episódio da troca de comando na Saúde e rogou a Deus “que nós dois estejamos certos lá na frente.” Depois, dirigindo-se a Nelson Teich, o substituto que defende o isolamento que levou à demissão do antecessor, Bolsonaro pediu:

“Junte eu e o Mandetta e divida por dois. E você vai chegar naquilo que interessa.” Um mais um é igual a dois. Dois dividido por dos é igual a um. Ganha uma vacina contra o coronavírus quem for capaz de informar o que Bolsonaro pretendeu dizer com sua equação de mesa de bar.

Todo esse pastel de vento é demonstrativo da irrelevância que a Presidência da República assumiu na crise atual. Bolsonaro critica um isolamento que o Supremo o proibiu de afrouxar e que seu novo ministro diz não ter informações para modificar de forma brusca.

Não é só: Nelson Teich manifesta a intenção de desenvolver um trabalho conjunto com os os governadores que seu chefe deplora.

É visível o esforço do presidente para extrair dividendos políticos da crise. Bolsonaro avalia que a ruína econômica provocada pelo vírus será mais amarga do que o drama sanitário. O que detonaria as pretensões dos seus potenciais rivais em 2022.

O Brasil precisa de coordenação federal, não de um surto de insensatez dentro de uma pandemia que ultrapassou nesta sexta-feira a marca de 2 mil cadáveres.

RETÓRICA DE BOLSONARO VIRA CONVERSA DE BOTEQUIM – JOSIAS DE SOUZA, BLOG DO JOSIAS
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