SAÚDE VIVE UMA INTERVENÇÃO, NÃO UMA SUBSTITUIÇÃO – JOSIAS DE SOUZA, BLOG DO JOSIAS, NO UOL

É preciso chamar as coisas pelo nome próprio. Dizia-se na semana passada que o que estava ocorrendo no Ministério da Saúde era apenas uma substituição de ministros. Saía Henrique Mandetta, entrava Nelson Teich. É bem mais do que isso. O nome do que ocorre na pasta da Saúde é “intervenção”. Está claro que Jair Bolsonaro assumiu o volante da Saúde. Falta esclarecer qual será o itinerário do governo na gestão da pandemia do coronavírus.

A intervenção será completa com a acomodação de um general, Eduardo Pazuello, na função de número dois do ministério. Trata-se de personagem da confiança de Bolsonaro, não do novo ministro. Conforme o desejo do presidente, Nelson Teich vai se revelando uma espécie de anti-Mandetta. Introspectivo, o doutor tem dificuldades para se comunicar com a imprensa. Passa por um treinamento intensivo. Enquanto se organiza, foram suspensas as entrevistas que davam transparência à ação do governo na crise.

A única coisa sobre a qual não há nenhuma dúvida é a decisão de Bolsonaro de continuar ignorando as recomendações sanitárias. Numa de suas poucas manifestações desde que virou ministro, Nelson Teich disse que não faria “mudança brusca” na política de isolamento social. No domingo, o presidente constrangeu o ministro com mais uma de suas pedaladas sanitárias ao participar de uma aglomeração antidemocrática em Brasília. No mais tudo é interrogação na Saúde.

São conhecidas as ideias que Nelson Teich tinha antes de virar ministro. Ele elogiava as providências adotadas na gestão de Mandetta, inclusive o isolamento social. Agora, o ministro fala em relaxamento progressivo do isolamento. O problema é que a posição do governo federal já não tem tanta relevância, porque o Supremo decidiu que cabe aos estados definir o ritmo da saída do isolamento. E vários governadores já estão discutindo o que fazer. Bolsonaro conseguiu transformar o seu ministério da Saúde num asterisco. O novo ministro parece bem intencionado. Mas ele age como se debatesse regras de prevenção contra incêndio no meio das labaredas.

MEU COMENTÁRIO:

Lamentável que o novo ministro se submeta ao papel de mera figura decorativa, inteiramente tutelado pelo militar nomeado como número 2.

Há de se elogiar a escolha de Bolsonaro: alguém submisso, como ele sempre almejou, para cumprir suas ordens como ministro de fato.

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