Sem empatia e compaixão, atravessar essa pandemia será mais dolorido – CLAUDIA COLUCCI, FOLHA

Invista em dicas para driblar a ansiedade nesses tempos de incerteza e isolamento social

Ainda é madrugada, desperto com o coração disparado, as mãos geladas. Penso no meu pai de 90 anos, cardiopata, dois infartos prévios, um marcapasso cardíaco. Teimoso como ele só. E se contrair o novo coronavírus?

Desde que pandemia chegou ao Brasil, não tem sido fácil manter a saúde mental sob controle. As crises de ansiedade se tornaram frequentes. Eu não sou a única. Amigos relatam medos e angústias parecidas.

Nós, jornalistas que estamos na linha de frente da cobertura da pandemia, não podemos nos dar ao luxo de nos desligar das informações que chegam a cada instante. Estamos ligados 24 horas por dia.

O temor não é apenas em relação ao novo coronavírus e ao isolamento social imposto pela pandemia. Pesa também a preocupação com o que virá depois dele. Recessão, desemprego.

Todos nós sairemos perdendo dessa crise, não tem jeito. Uma vez aceitando isso, o que fazer para enfrentar esse período de estresse extremo sem surtar?

Especialistas em saúde mental dão algumas dicas. A primeira delas é um tiro no meu pé, afinal, eu vivo de dar notícias.

Mas o excesso de informações sempre aparece como um fator importante de ansiedade, vários estudos já demonstraram isso. Ainda mais em tempos de tantas notícias falsas circulando nas redes sociais.

Todo santo dia eu recebo mensagens de amigos e da família perguntando: “Cláudia, é verdade que as pessoas estão morrendo aos montes e o governo está escondendo?”

Eu digo: parem de acreditar em áudios apócrifos que chegam no seu celular! Não há razão para duvidar das fontes oficiais. É claro que é possível que ocorra subnotificação de casos e talvez até de algumas mortes nesse primeiro momento.

Há falta de testes diagnósticos para a Covid–19 e demora dos resultados na rede pública. Existem hospitais esperando até 12 dias pela confirmação. Nos hospitais de ponta, o resultado sai em 24 horas. Mas ninguém duvida que as autoridades de saúde têm agido com muita responsabilidade.

Sim, é importante estarmos bem informados neste momento, por isso apoie-se em fontes confiáveis. Também não fique o dia todo preso aos noticiários ou você passará o dia todo só pensando nisso.

É importante também estabelecer uma rotina durante a quarentena. Por exemplo, um horário para acordar, para se exercitar. Há vários aplicativos com aulas de ioga, de alongamento e de exercícios aeróbicos que podem ser feitas em casa.

Não caia na armadilha que eu caí na primeira semana de home office e trabalhar muito mais horas do que as já exaustivas habituais. Aprenda a buscar um equilíbrio.

Se a ansiedade, a angústia e o medo estiverem muito excessivos, busque uma terapia online. A prática já está bem disseminada e há várias plataformas para esse fim.

Aproveite o tempo em casa para ligar para os amigos e os parentes. É muito importante nesse momento conectar-se com as pessoas que a gente ama. Se tem tempo de sobra, invista nos hobbies que estavam esquecidos.

Uma ferramenta que sempre me ajuda muito é a meditação. Nos últimos dias, tentei várias técnicas que antes funcionavam muito bem, mas que agora falharam miseravelmente. Uma amiga me indicou uma técnica contemplativa, ficar olhando para a chama de uma vela. Funcionou. Por ora.

Em um ambiente de tantas incertezas, há uma certeza que aproxima todos nesse momento: estamos no mesmo barco. Mais do que nunca, precisamos nos colocar no lugar do outro. Sem empatia e sem compaixão, a travessia por essa pandemia será ainda mais dolorosa.

Cláudia Collucci

Jornalista especializada em saúde, autora de “Quero ser mãe” e “Por que a gravidez não vem?”.

Sem empatia e compaixão, atravessar essa pandemia será mais dolorido – CLAUDIA COLUCCI, FOLHA
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