SEM MOVIMENTAR TROPAS, OCIDENTE ATINGE PONTO VITAL RUSSO: O COFRE – JOSIAS DE SOUZA, UOL

Ao farejar o cerco estrangeiro ao Banco Central russo, Putin avisou no domingo que colocou seu arsenal nuclear em alerta máximo. Na segunda-feira, alvejado pelo míssil financeiro, teve saudade da Guerra Fria.

Uma repórter perguntou a Biden se os americanos deveriam temer a ameaça nuclear de Putin. E ele, seco: “Não”. Em vez de dissuadir, o blefe do autocrata russo potencializou a resposta dos Estados Unidos e da Europa à invasão da Ucrânia.

Além de suspender a Rússia do Swift, o sistema internacional de compensações bancárias, o Ocidente travou parte das reservas bilionárias que Putin acumulou para sobreviver a eventuais embargos econômicos.

Dos US$ 630 bilhões colecionados pela Rússia, algo como 70% estão em moeda estrangeira, a maior parte em dólar, libra esterlina e euro. Os recursos foram bloqueados. A parte investida em papeis americanos também foi travada.

No instante em que as tropas russas chegavam às portas de Kiev, capital da Ucrânia, Putin assistia em Moscou a uma corrida aos bancos. Correntistas formaram enormes filas para sacar dólares.

O BC russo dobrou os joelhos e a taxa de juros. Empresas exportadoras receberam a ordem de converter 80% das receitas em rublos, entregando seus dólares.

Logomarcas estrangeiras anunciaram rompimento de parcerias com empresas russas. Até a Suíça, tradicionalmente neutra, aderiu às sanções.

Nos tempos da Guerra Fria, o mundo receava ser exterminado a qualquer momento. Mas todos sabiam por quê. Se a coisa desandasse, mísseis atômicos do Mundo Livre cruzariam no ar com ogivas nucleares do Império do Mal, produzindo o extermínio simultâneo dos Estados Unidos e da antiga União Soviética.

Os ventos se encarregariam de espalhar a contaminação radioativa, universalizando o extermínio. Com o fim da União Soviética, o mundo imaginou que estivesse livre do fantasma atômico. Mas Putin encontrou no avanço da Otan um pretexto para não desarmar nem o espírito.

Se a invasão da Ucrânia pela Rússia serviu para alguma coisa foi para demonstrar que, além de conviver com o risco de virar baixa colateral de um eventual confronto atômico, o mundo passou a lidar com a contaminação de mísseis financeiros como o que foi disparado contra a Rússia.

Todos os países que mantêm relações comerciais com a Rússia sofrerão os efeitos da asfixia financeira. A distância não livrará países como o Brasil da crise. Mesmo que Bolsonaro saia gritando pelos salões do Alvorada: ‘Eu sou neutro, eu sou neutro…”

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