Servidor público também precisa pagar a conta da crise -LEANDRO COLON, FOLHA

Servidor público também precisa pagar a conta da crise

Governo propõe cortes no setor privado, mas há um silêncio sobre medidas para o funcionalismo

O Senado tem ao todo cinco funcionários no “serviço aeroportuário”. As remunerações partem de R$ 25 mil, segundo registros oficiais.

A atribuição deles é cuidar do planejamento das viagens das autoridades e de seus convidados que desembarcam no aeroporto de Brasília.

O serviço é subordinado à Polícia Legislativa do Senado, que fornece 19 servidores, com bons salários, para o “serviço de plenário e comissões”.

Outros 22 policiais legislativos trabalham na proteção do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Ao todo, a Casa tem cerca de seis mil funcionários de carreira e comissionados. Em tempos de sessões virtuais, com senadores votando de casa pela internet, e voos restritos, é inútil o “serviço aeroportuário”.

Assim como não há necessidade para 19 policiais cuidarem da segurança do plenário e das comissões, que estão inoperantes fisicamente

Mas enquanto o governo federal propõe o corte de jornada e dos salários do setor privado para enfrentar a crise do coronavírus, há um silêncio sobre medidas que atinjam o bolso do funcionalismo público.

Os três Poderes —Executivo, Judiciário e Legislativo— não se mexem para buscar uma saída legal que corte na própria carne.

O presidente do STF, Dias Toffoli, por exemplo, tratou de acalmar a tropa da Justiça quando a hipótese de redução salarial foi aventada.

Reportagem publicada no domingo (12) na Folha mostra que haveria um caixa de R$ 6 bilhões se houvesse uma diminuição de 25% na jornada e nos salários por três meses na administração federal.

Somando os funcionalismos estadual e municipal, o valor subiria a R$ 36,8 bilhões, de acordo com estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Um dinheiro que poderia ir para o combate à pandemia.

Grande parte desses são servidores de carreira, que compõem uma elite com estabilidade trabalhista em meio a uma crise econômica que promete ser sem precedentes. Que ao menos então recebam menos por trabalhar menos nesse período

.Leandro Colon

Diretor da Sucursal de Brasília, foi correspondente em Londres. Vencedor de dois prêmios Esso.

MEU COMENTÁRIO:

Estamos coando moscas e engolindo camelos, nessa questão do quanto se gasta com a folha dos servidores, em todos os níveis.

Mexe-se com os pobres diabos celetistas – e já nem isso são mais! – e tapa-se o sol com a peneira, por que o grande buraco – os gastos fixos com servidores ativos e inativos, com todas as vantagens – fica mais em cima.

Mas quem mexerá com ele? Militares são servidores. Legisladores são servidores. Membros do executivo são servidores.
Quem faz as leis? Quem as põem em vigor? São os mesmos.

Por isso, neste triste país, o lema de cada gestão é “reformas”. Desde que me conheço por gente este país está em reformas.

Lembro-me da reforma da CLT e da estabilidade do empregado celetista, garantida pela lei mas nunca atingida, por que aos oito, nove anos, os empregados eram demitidos, impedindo adquirissem a estabilidade.

A reforma dos militares mudou isso. Para compensar as demissões, inventou-se o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, FGTS, em que as empresas depositavam o equivalente a um ano de serviço na conta de cada empregado. O montante pagava juros irrisórios, não rendia nada aos fundiários. Mas era um belo capital do qual os governos dispunham, tão barato era seu custo. A patuleia…ora a patuleia.

E as reformas? Com os servidores não se mexe, a Constituição garante não só a estabilidade, como a irredutibilidade de vencimentos.

Então, vemos que as reformas são para que tudo mude para que tudo fique como está.

Desde quando? Desde sempre. É triste nosso futuro...

Servidor público também precisa pagar a conta da crise -LEANDRO COLON, FOLHA
Rolar para o topo