Sob Bolsonaro, imprensa apura as perversões que autoridades não investigam JOSIAS DE SOUZA, UOL

Sob Bolsonaro, imprensa apura as perversões que autoridades não investigam

Há dois tipos de corrupção no Estado: a roubalheira e a subversão de prioridades. A corrupção de prioridades é evidente no caso do desvio de quase R$ 90 milhões do orçamento destinado a atenuar os efeitos da covid em populações rurais pobres para a compra de máquinas agrícolas, revelado pela Folha. Mas os indícios de que a perversão é mais profunda também são eloquentes. O escândalo pede uma investigação que todos sabem de antemão que não vai ocorrer.

No apagar das luzes de 2021, entre o Natal e o Ano Novo, o Ministério da Cidadania, então chefiado pelo deputado João Roma, comprou 247 tratores e outros tipos de máquinas agrícolas para beneficiar comunidades rurais às quais o governo Bolsonaro sonegou até cisternas. As máquinas foram escolhidas antes da definição das comunidades que as receberiam. Ou seja, o objetivo era a compra, não o suposto benefício social

As máquinas já chegaram. O ministério já atestou o recebimento. Pressiona agora pelo pagamento. O diabo é que todo o maquinário permanece no pátio da empresa chinesa que fez a venda. O dinheiro caminha na frente dos tratores.

Esse mesmo tipo de compra foi feito aos montes pelo Ministério do Desenvolvimento Regional. A diferença é que, no novo escândalo, o dinheiro público não veio do orçamento secreto, mas de uma hipotética sobra do sempre deficitário caixa do Bolsa Família.

No domingo, o Estadão noticiou outra anomalia: a compra de caminhões de lixo superfaturados ao custo de R$ 109 milhões. Nesta segunda-feira, o jornal revelou que uma das aquisições traz as digitais de Ciro Nogueira, chefão da Casa Civil e do centrão. Coisa de R$ 240 mil.

O centrão está por trás de onze em cada dez desvios constatados sob Bolsonaro.

Uma das características mais marcantes da corrupção é que os corruptos estão sempre nos outros governos. A lorota de campanha mais repetida por Bolsonaro é a versão segundo a qual não há corrupção no atual governo.

Não há semana em que não surjam novas evidências de que o dinheiro do Orçamento federal continua saindo pelo ladrão. Isso ocorre porque ladrões continuam entrando no Orçamento.

A única diferença é que Bolsonaro comanda um governo mal investigado. Deve-se o fenômeno à anestesia aplicada na Polícia Federal e à blindagem fornecida pela Procuradoria-Geral da República.

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