SOLIDARIEDADE – RICARDO NOBLAT, VEJA.COM

Solidário, Bolsonaro sai em defesa dos bolsonaristas bloqueados

Liberdade de expressão não está ameaçada

Por Ricardo Noblat – Atualizado em 26 Jul 2020, 08h16 – Publicado em 26 Jul 2020, 08h00

O presidente Jair Bolsonaro observa uma cerimônia para baixar a bandeira nacional brasileira durante a noite, no Palácio da Alvorada Bruna Prado/Getty Images

São ralas as chances de sucesso da ação que pede ao Supremo Tribunal Federal a suspensão do bloqueio de perfis bolsonaristas nas redes sociais decretado pelo ministro Alexandre de Moraes. A ação é assinada pelo presidente Jair Bolsonaro e o advogado-geral da União José Levi Mello do Amaral Júnior.

“Em uma democracia saudável, a liberdade de expressão deve ser plena, assim como a liberdade de imprensa. Para decantar potenciais manipulações, a democracia exige fontes alternativas de informação para que os cidadãos tenham a necessária compreensão esclarecida acerca dos negócios públicos”, diz a ação.

O direito à livre expressão do pensamento nada tem a ver com o uso de contas nas redes sociais para a distribuição de falsas notícias com o propósito de destruir a reputação dos que se opõem ao governo, ao presidente e os criticam. Alexandre de Moraes não cassou o direito à livre expressão do pensamento de ninguém.

Mandou que o Twitter, o Facebook e outras plataformas bloqueassem contas utilizadas para o cometimento de crimes contra a honra de pessoas. Tanto que os titulares dessas contas investigadas continuam dizendo e escrevendo o que querem nas redes sociais. Na apuração de crimes, a lei autoriza até prisões.

O ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, que apoia Bolsonaro, teve suas contas bloqueadas. Isso não o impediu de continuar falando mal do Supremo. Ele elevou o tom dos seus ataques aos ministros e passou a disseminar baixarias contra eles, a ponto de acusar alguns de serem sodomitas.

Bolsonaro saiu em defesa do restabelecimento das contas dos seus devotos para mostrar que é solidário a eles, que não os abandonou, e que eles, portanto, não precisam retaliar abandonando-o. Algo parecido com o que fez com a deputada Bia Kicis (PSL-DF). Tirou-a da vice-liderança do governo na Câmara e depois foi visitá-la.

Fossem outros os tempos, não estivesse preocupado com o cerco judicial aos seus filhos e a empresários que financiam atos hostis à democracia, a reação de Bolsonaro teria sido diferente. Partiria para cima de Alexandre de Moraes e do Supremo como já fez no passado. O medo explica a nova versão moderada de Bolsonaro.

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