TEICH É UMA DEMISSÃO ESPERANDO PARA ACONTECER – JOSIAS DE SOUZA, BLOG DO JOSIAS

Na origem da pandemia, Jair Bolsonaro acorrentou-se a um negacionismo tosco. Desde então, sempre que não sabe o que dizer sobre o coronavírus e as mortes que ele produz em escala industrial, o presidente retira da gaveta duas ideias fixas: a volta a uma normalidade que não existe e o uso de um remédio de serventia duvidosa: a cloroquina.

Nos dois casos, Bolsonaro se comporta como um sujeito que bate com a cabeça na parede, na expectativa de que a qualquer momento a parede vai virar uma porta. Por enquanto, Bolsonaro produziu apenas escoriações na sua própria cabeça e desinformações que atormentam os miolos alheios.

O presidente voltou a defender o uso da cloroquina por pacientes em estágio inicial da covid-19 depois de o ministro da Saúde, Nelson Teich, ter anotado nas redes sociais que o medicamento pode ser prescrito para pacientes hospitalizados. E que, em função da emergência sanitária, o Conselho Federal de Medicina facultou o uso em outras situações, desde que o médico prescreva, e o paciente, alertado para os efeitos colaterais, assine um termo de consentimento.”

Indagado pelos repórteres sobre a posição do ministro, Bolsonaro repetiu uma das frases que costumava dizer quando queria empurrar para fora do governo Henrique Mandetta, o antecessor de Teich: “Todos os ministros têm que estar afinados comigo”.

Na contramão do ministro, que vem afirmando que não é hora de flexibilizar o isolamento social, Bolsonaro soou ríspido: “Quem ficar em casa parado vai morrer de fome”, ele disse. “Não podemos ficar hibernando em casa”, acrescentou. É preciso “parar com essa babaquice.” Ou ainda: “Quem não quiser trabalhar fica em casa, porra!” Bolsonaro disse isso.

Com seus arroubos, o presidente transforma a si mesmo num personagem dispensável. À revelia do ministro, Bolsonaro assinou um decreto incluindo academias de ginástica, salões de beleza e barbearias na lista de “atividades essenciais”.

Governadores e prefeitos trataram o decreto como algo assinado por um presidente não essencial. Ignoraram. Quanto à cloroquina, quem define o uso são os médicos, não o presidente.

De concreto, o que se extrai do falatório de Bolsonaro é o seguinte: o doutor Nelson Teich ainda nem esquentou a cadeira de ministro e já virou uma nova demissão esperando na fila para acontecer.

TEICH É UMA DEMISSÃO ESPERANDO PARA ACONTECER – JOSIAS DE SOUZA, BLOG DO JOSIAS
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