TEREZA CRISTINA TEVE UM SURTO DE RICARDO SALLES – JOSIAS DE SOUZA, BLOG NO UOL

O governo Bolsonaro possui pelo menos três grupos: a ala militar, o bloco ideológico-apocalíptico e a banda da sensatez. A ministra Tereza Cristina, da Agricultura, consolidou-se como uma das mais destacadas integrantes do pedaço sensato do governo. Na área do Meio Ambiente, ela costuma funcionar como contraponto à insensatez do colega Ricardo Salles.

Num instante em que o país é obrigado a lidar com o esforço do ministro antiambiental para passar a boiada sobre as normas ambientais, Tereza teve um surto de Salles. Defendeu a tese do “boi-bombeiro.” Disse que o fogo impõe destruição recorde ao Pantanal por falta de bois para ruminar a vegetação seca.

“Aconteceu um desastre porque nós tínhamos muita matéria orgânica seca, e, talvez, se nós tivéssemos um pouco mais de gado no Pantanal, teria sido um desastre menor”, afirmou Tereza Cristina. Cada pessoa pode ter a sua opinião sobre qualquer tema. Mas uma ministra não pode ter os seus próprios fatos.

Em conversa com senadores, a ministra reconheceu que o Pantanal vive em 2020 a mais severa seca dos últimos 40 anos. Era previsível que ocorressem mais incêndios. O que não precisava estar no script é o desmonte do aparato dos órgãos ambientais da União.

Seria dispensável também ao roteiro a demora do governo federal e dos estados em adotar medidas preventivas contra a proliferação de focos de incêndio. Não há baba bovina capaz de deter o descaso e a inépcia. Tereza Cristina sabe disso —ou deveria saber.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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