Uma encenação para que pareça que tudo está bem entre eles – RICARDO NOBLAT – VEJA.COM

Reformas econômicas à distância

Por Ricardo Noblat – 18 mar 2020, 09h00

Jair Bolsonaro fala durante uma cerimônia para a assinatura do decreto do novo regulamento sobre o uso, venda e porte de armas e munições, no Palácio do Planalto em Brasília (DF) – 07/05/2019 Adriano Machado/Reuters

E no 21º dia desde que foi confirmado no Brasil o primeiro caso de coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro se reunirá com os presidentes do Supremo Tribunal Federal, da Câmara dos Deputados e do Senado para… Para o quê mesmo?

Segundo explicou, ontem, o próprio Bolsonaro, para “mostrar a vocês” que os três poderes da República estão unidos na guerra contra a pandemia que, por aqui, já colheu em São Paulo a primeira vida – a de um homem de 62 anos que tinha diabetes e hipertensão.

Na Itália, à chegada do 20º dia da pandemia, só havia três casos confirmados. Aqui, quase 300. O pico da doença, segundo médicos do Ministério da Saúde, deverá se dar ali por junho próximo. O coronavírus não mata só velhos, mas também jovens e até crianças.

O teatro montado por Bolsonaro para ocupar seu tempo em Brasília funcionará apenas como um teatro. Ele manteve distância até aqui dos demais poderes – antes das manifestações do último domingo para não esvaziá-las, e depois por tê-los hostilizados.

O Congresso aprovará todas as medidas que Bolsonaro propor para o combate ao vírus, e outras de sua própria iniciativa, mas quer se manter distante de quem perdeu a sua confiança. Reformas econômicas, em ano eleitoral e com uma pandemia?

Esqueça. Não haverá tempo útil para isso. Ficará para 2021, o penúltimo ano de Bolsonaro na presidência da República ou talvez o primeiro do seu vice, o general Hamilton Mourão. Bolsonaro é candidato a ser a primeira grande vítima política do coronavírus.

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