Vaivém em gabinete de Bolsonaro indica uma sujeira muito maior – LEANDRO COLON, FOLHA

Vaivém em gabinete de Bolsonaro indica uma sujeira muito maior

Guinada de tom do presidente após prisão de Queiroz não deve ser apenas por causa de Flávio

Desde a prisão de Fabrício Queiroz, Jair Bolsonaro baixou a guarda, moderou sua verborragia, e, num sinal de inflexão, buscou reduzir a tensão com os demais Poderes.

Segundo as investigações do Ministério Público do Rio, Queiroz era o homem chave do esquema das “rachadinhas” do gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia.

Descobriu-se um cheque de R$ 24 mil de Queiroz à primeira-dama, Michelle. Bolsonaro, em sua defesa, diz que o dinheiro é parte de um empréstimo de R$ 40 mil que fez ao ex-assessor do filho.

O presidente nunca explicou direito essa tal dívida nem as razões que levaram Michelle a receber o cheque.

Queiroz conhece Bolsonaro desde 1984. O PM aposentado seria muito mais ligado a ele do que ao filho Flávio.

A história mal contada sobre o cheque abre brechas para interpretação de que o presidente também se beneficiou das rachadinhas, prática nefasta de desvio de parte dos salários dos gabinetes.1 6

Flavio e Jair Bolsonaro com Fabricio Queiroz

O ex-assessor parlamentar e policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz em foto ao lado de Jair Bolsonaro. A imagem foi publicada no perfil do Instagram do ex-auxiliar em 21 de janeiro de 2013
Jair e Flavio Bolsonaro em churrasco com Queiroz
Em foto publicada no Instagram, o senador eleito Flavio Bolsonaro posa com Fabricio Queiroz, ex-assessor parlamentar cuja movimentação financeira despertou suspeitas das autoridades
Fabrício Queiroz foi assessor de Flávio Bolsonaro por mais de dez anos
Imagem retirada de redes sociais mostra o senador Flávio Bolsonaro com seu assessor Fabrício Queiroz
Fabrício Queiroz entre a filha Evelyn e Flávio Bolsonaro

Um trabalho de reportagem exaustivo publicado pela Folha neste domingo (6) indica que essa maracutaia com verba pública passou de pai para filho.

Os repórteres Ranier Bragon e Camila Mattoso analisaram nos últimos meses os boletins de movimentação de 28 anos do gabinete de Bolsonaro nos tempos de deputado.

Eles descobriram ao menos 350 trocas em um vaivém frenético e desarrazoado.

Do dia para a noite, salários de servidores eram dobrados e quadruplicados. Em seguida, reduzidos a menos da metade.

Um dos personagens é filha de Queiroz. ​O recorde de movimentações, com 26 vaivéns, é de Walderice Santos da Conceição, a Wal do Açaí, funcionária fantasma que veio à tona pela Folha na campanha de 2018.

A guinada de tom dada por Bolsonaro após a prisão de Queiroz é um movimento político de proteção ao filho.

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E as informações reveladas sobre seu gabinete na Câmara um indicativo de que a sujeira pode ser muito maior.

Leandro Colon

Diretor da Sucursal de Brasília, foi correspondente em Londres. Vencedor de dois prêmios Esso.

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