VISITA AOS PORÕES DA CORRUPÇÃO – RICARDO NOBLAT, EM VEJA.COM

Lembra-se da conversa gravada onde o então presidente Michel Temer dizia ao empresário Joesley Batista, dono do Grupo JBS, que ele deveria manter ”tudo isso aí”, referindo-se supostamente à ajuda que Joesley dava em dinheiro ao deputado Eduardo Cunha preso em Curitiba pela Lava Jato?

Pois o juiz Marcos Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal do Distrito Federal, na sentença em que absolveu Temer do crime de “obstrução de Justiça”, escreveu sobre a denúncia feita à época por Rodrigo Janot, Procurador-Geral da República:

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[…] a denúncia desconsidera as interrupções do áudio, suprime o que o Laudo registra como falas ininteligíveis e junta trechos de fala registrados separadamente pela perícia técnica que, a seu sentir, dão — ou dariam — sentido completo à conversa”.

Parte do áudio foi divulgada no dia 17 de maio de 2017. A conversa  ocorrera exatos dois meses antes. A denúncia de Janot quase derrubou o governo. O Supremo Tribunal Federal pediu licença à Câmara dos Deputados para processar Temer. A Câmara negou.

Reis Bastos escreveu mais:

“A prova sobre a qual se fia a acusação é frágil. […] O diálogo quase monossilábico entre ambos não evidencia a conduta dolosa de impedir ou embaraçar concretamente investigação de infração penal que envolva organização criminosa”.

Soube-se, recentemente, que outro conversa, tão famosa ou mais do que essa de Temer e também gravada, pode não ter significado o que ao seu tempo pareceu significar. Trata-se da conversa por telefone entre a então presidente Dilma e Lula. Foi em 17 de março de 2016.

A gravação foi feita depois da hora estabelecida pelo juiz Sérgio Moro para que cessasse o grampeamento do celular de Lula. Moro mesmo assim a divulgou para provar que Dilma convidara Lula para ser ministro unicamente com a intenção de salvá-lo da Lava Jato.

Com a descoberta pelo site The Intercept de que em outras conversas daquele dia, também gravadas, Lula hesitara em assumir o cargo de ministro ou se dispunha a assumi-lo só para impedir que Dilma fosse derrubada, foi pelo ralo o que Moro quis provar.

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